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Amor e Morte em Camelot, por Gisele Alvares Gonçalves

Não importa o quanto se estude, ou o quanto se conheça do mundo, basta ler um livro com atenção e ele sempre vai ensinar algo novo. O livro Amor e morte em Camelot, de Gisele Alvares Gonçalves, é uma verdadeira aula de intrigas envolvendo romances, corações partidos e conflitos internos, explorando todo o espectro de possibilidades, inclusive situações extremas. O nome do livro é amor e morte, afinal, e não amor e girassóis. A autora, graduada em História pela UFRGS, nos faz viajar pela velha Bretanha Arturiana com a protagonista Gwenwyfach, que se vê enredada em uma paixão avassaladora e perigosa por Mordred, um dos cavaleiros da Távola Redonda.

 

Primeiro, gostaríamos que falasse um pouco de você. O que costuma fazer, quais os seus hobbies, qual comida preferida?

Essa pergunta sempre é difícil! Bem, eu sou uma pessoa que sempre se dedicou às musas de alguma forma, fosse através da dança, da música ou da literatura. Em tempos passados, eu cheguei a participar de corais, fui estagiária em um grupo de dança do ventre e também fui professora de violão. Participei de algumas antologias e fui convidada para outras, e, no meio de tudo isso, ainda me dediquei ao estudo da moda. 

Atualmente, estou me dedicando bastante à escrita, tanto do novo livro que pretendo lançar, como das resenhas do site do qual sou cocriadora, No Escurinho do Cinema. Claro, ser redatora de um site sobre séries e filmes também implica em dedicar tempo para fazer uma maratona de vez em quando… Para fins puramente profissionais, claro. Tirando isso, eu estudo para futuramente voltar a fazer provas de concursos, quando a pandemia acabar.

 

O que a levou a escolher a temática Arturiana para ambientar Amor e Morte em Camelot?

Para falar sobre o porquê da temática Arturiana, eu teria que falar do porquê do livro. Eu escrevi Amor e Morte em Camelot como uma forma de viver a paixão que eu sentia por um certo rapaz que se autodenominava Mordred. Foi uma forma de entrar no mundo dele, sabe? E se esse mundo era o ciclo Arturiano, um tema que eu já amava por causa do filme As Brumas de Avalon, melhor ainda.

  

Além das lendas do Rei Artur, quais outras influências você tem?

Nossa, se eu pudesse falar sobre todas as minhas influências, esse texto teria que virar um livro! Mas, para resumir, tudo o que se refere ao período que vai da Idade Antiga à Belle Époque sempre irá me atrair. Essa paixão pelo que não é do nosso tempo despertou quando eu vi O Senhor dos Anéis pela primeira vez no cinema, sendo esta trilogia até hoje a sequência de audiovisuais que eu considero a mais perfeita dentre todas. Xena – A Princesa Guerreira também acabou por ser um dos marcos do meu amor por épicos, levando-me a procurar sobre mitologia grega e tudo o que envolve o mundo antigo. Por fim, a trilogia alemã Sissi e o filme Titanic deram-me o gosto pelo século XIX e a Belle Époque, levando-me eventualmente para o mundo dos romances de época, como os da autora Jane Austen. 

Em termos dos grandes nomes da literatura, não poderia deixar de citar Tolkien (O Hobbit), Marion Zimmer Bradley (As Brumas de Avalon), Álvares de Azevedo (Noite na Taverna), Kate Mosse (Labirinto),  Mary Jo Putney (Um Beijo do Destino), José de Alencar (Lucíola), Anne e Serge Golon (Angélica – Marquesa dos Anjos) e Phillipa Carr (A Feiticeira do Mar).

 

Como o conhecimento que você adquiriu na graduação de história pode ter ajudado no seu processo de escrita?

Não necessariamente no processo de escrita, mas ajudou muito no processo de pesquisa. Tendo o conhecimento sobre como selecionar bibliografias para se realizar uma pesquisa de qualidade, eu pude recorrer a livros que me deram material para resgatar certos pontos do ciclo arturiano que hoje até mesmo se perderam, como a Gwenwyfach, que é muito pouco explorada nos dias de hoje. Aliás, muitos não sabem, mas essa personagem existe mesmo no ciclo arturiano! Ela realmente era a irmã da Gwenwyfar (Guinevere) e aliada de Mordred, porém, era retratada nos textos medievais como uma vilã, uma nêmesis de Camelot. Ler sobre a Gweny só me fez ter mais vontade de escrever sobre ela, de forma a dar voz a uma personagem mal compreendida no medievo, e talvez até mesmo tirar-lhe o estigma de vilã, dando-lhe uma chance de ser amada pelo público.

 

Você tem muita habilidade em descrever personagens que estão constantemente lutando contra a própria natureza — sendo Mordred um dos casos mais óbvios —, de onde você acha que veio essa habilidade?

Oh, obrigada pelo elogio! Agora, sobre o lugar de onde vem essa habilidade, a resposta não poderia ser outra a não ser a emoção. Eu escrevi o personagem Mordred de forma a torná-lo tão terrível a ponto de Gwenwyfach querer afastar-se dele… Assim, o desespero de seu amor seria ainda maior, dando ao romance exatamente os tons obscuros que eu procurava.

 

Lady Dindraine foi a personagem que mais nos chamou a atenção. Se tem alguém que levou as palavras amor e morte ao extremo, foi ela. Conte-nos mais sobre o processo de criação dessa personagem, em quem você a baseou e como pensou no seu arco?

A Dindraine, na verdade, foi a personificação do meu sentimento de ciúme. Ela não apenas atrai o olhar de Mordred como é considerada perfeita para ele, algo que nem mesmo Gwenwyfach alcançou. Devo confessar que ela foi inspirada em um perfil de orkut real, ainda que nem me lembre o nome da garota que emprestou sua aparência a Dindraine. Ela foi um scrap (acho que estou denunciando a minha idade aqui) que me fez acreditar que eu não tinha o amor daquele que inspirava a minha escrita… Ela foi uma sensação poderosa que foi traduzida em palavras, em um desafio para Gwenwyfach mostrar o seu brilho e o seu potencial para Mordred.

 

Como foi a fase pós-escrita? O processo de publicação foi difícil?

Na verdade, foi um processo bem fácil. Assim que eu terminei o livro (literalmente no mesmo dia), enviei-o por e-mail para três editoras, e as três aceitaram publicá-lo! Depois de escolhido o contrato que eu iria assinar, foi apenas questão de esperar que me mandassem o briefing para eu preencher com as instruções para a capa, e depois aquele que daria as diretrizes para a diagramação do texto. Felizmente, contrataram uma capista/diagramadora que entendeu perfeitamente o clima de Amor e Morte em Camelot, então logo na primeira prova, tudo já foi aprovado por mim, que me surpreendi positivamente com a arte dessa profissional. Enfim, contar com uma editora torna o processo de edição do livro bastante prático e fácil, ainda que demorado, afinal eles tinham vários outros livros os quais estavam editando na mesma época.

 

…nós somos Pandora, e dentro dos nossos livros devem existir todos os sentimentos da humanidade

Quais dicas você dá para escritores que ainda não publicaram seu primeiro livro?

Eu diria para lerem muito e estudarem a gramática, afinal, escrever é um processo de melhora contínua, e a revisão também. Pesquisem sobre todos os assuntos que escrevem, entendam sobre a época e o lugar em que a história se passa. Acima de tudo, no entanto, eu diria para escreverem com emoção, pois este é o motivo pelo qual o leitor busca um romance. Se você escreve terror, sinta o medo do personagem na pele! Se gosta de romance, busque em seu âmago por todas as situações que te comovem. O escritor deve estar disposto a descobrir as partes de si que menor aprecia e abraçá-las… Deve ser brutalmente honesto sobre suas emoções, pois nós somos Pandora, e dentro dos nossos livros devem existir todos os sentimentos da humanidade.

 

Quais os planos e projetos futuros? E por onde podemos acompanhar seu trabalho?

Dentre meus projetos futuros estão terminar a trilogia Amor e Morte em Camelot… Sim! AEMEC terá continuação, afinal, nenhuma história arturiana está completa até chegarmos a Camlann, não é mesmo? Também estou escrevendo um livro de contos que nada têm a ver com Camelot, mas trazem alguns elementos que já conhecemos bastante de AEMEC, como magia, amor, feminilidade, beleza, obscuridade e sedução. Tirando isso, eu escrevo semanalmente para o site No Escurinho do Cinema, que eu administro juntamente com o D. C. Blackwell. Para me encontrar é muito fácil! Basta acessar o meu site, pois lá vocês encontram todas as minhas redes sociais, bem como uma seção sobre AEMEC e outra sobre No Escurinho do Cinema

 

Uma última mensagem para os nossos leitores?

Se vocês chegaram até a Literomancia, vocês estão no caminho certo! Leiam muito, dediquem-se às musas, pois eu tenho certeza de que serão recompensados. De resto, deixo o meu muito obrigada a vocês, por terem acompanhado a entrevista, e espero que todos consigam encontrar seus lugares na literatura, se um dia desejarem dedicar suas vidas às musas e tornarem-se escritores. Um abraço e até a próxima!

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