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Agora, o público faz a história

Imagem: Divulgação SEGA

O público reclamou, e Sonic: O Filme mudou. George R.R. Martin disse que irá resistir, e as teorias ou reclamações não vão mudar mais sua ideia original. Até mesmo a toda poderosa Disney se submeteu às críticas aos novos Star Wars e está atrasando os próximos filmes. Você, como autor e leitor, já deve ter sentido aquela sensação de que poderia ter feito melhor que em algum filme, episódio ou livro. Provavelmente, se perguntou como pessoas que ganham milhões para fazer o trabalho dos sonhos conseguem errar tanto, ou teve certeza que outro diretor ou roteirista teria feito melhor.

O que começou com pesquisas de público feitas pelas grandes empresas responsáveis por nossas histórias preferidas está evoluindo para um domínio quase total desse mesmo público ante tais empresas. Qual autor não pensa no público assim que começa a escrever seu material? Qual revista que pretende divulgar literatura não faz o mesmo? A crítica tradicional costumava ignorar o leitor, e, por muito tempo, até mesmo o próprio escritor era ignorado. Agora, as coisas estão mudando. Para muitos, é importante entender o que o autor quis dizer com o que escreveu, qual aspecto cultural ele acabou deixando transbordar para o texto, ou quais trechos do seu material são, na verdade, frutos de um contexto externo ou intertextual. Porém, a força que o público, de forma geral, está tendo, nunca foi tão grande.

Como toda ideia nova, muitos — como o próprio Jim Carrey — não acham certo que a aparência do Sonic tenha sido alterada por pressão dos fãs. Assim como os produtores de Star Wars: Os Últimos Jedi, que relutaram em ouvir o público, chegando ao ponto de acusar e discutir com os fãs. Tudo isso levanta uma questão que é bastante debatida entre os profissionais: a quem pertence a obra? (Se é que pertence a alguém).

Há muitos anos, depois do que foi falado a respeito da segunda trilogia de Star Wars, George Lucas sempre tratou os filmes como se pertencessem a ele e, por isso, poderia fazer o que quisesse: “Todos os filmes de Star Wars, de uma forma ou de outra, são sobre mim e minha opinião sobre o mundo”, disse ele na página oficial da franquia. Inclusive, o diretor chegou a dizer que sabia que os fãs iriam odiar algumas de suas ideias, porém, seria ele fazendo a história que ele idealizou. Até certo ponto, isso merece ser respeitado. Quando ele vendeu sua empresa para a Disney, porém, sua atitude mudou. Ele pareceu resignado, e chegou a dizer que sua saga alcançou um ponto em que não lhe pertencia mais, e sim aos fãs.

Não é de hoje que a pressão popular muda o destino de personagens, mesmo Conan Doyle já teve que trazer seu detetive de volta dos mortos em razão dos fãs. Contudo, a modernidade permitiu um contato muito mais próximo e direto entre criadores e consumidores. O que você pensa sobre isso? O seu trabalho é só seu ou você o abriria para mudanças que talvez nem você mesmo concorde?

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