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Araruama, por Ian Fraser

Difícil encontrar algo que já não tenha sido dito a respeito de Araruama, o Livro das Sementes, de Ian Fraser, em outras resenhas. Muito já foi falado a respeito da impressionante construção de mundo, da linda e assustadora marca que o destino deixa nos personagens, determinando, logo no seu nascimento, quanto tempo terão de vida, fato que acaba influenciando diretamente toda a organização hierárquica das suas sociedades.

Muito já foi dito também sobre a alternância entre pontos de vista, o que permite uma visão abrangente do mundo, das diferentes classes, dos fracos e dos fortes, da infinidade de nomes e termos que confundem propositalmente, permitindo uma imersão total em um cenário nativo pré-colonial fantástico. A beleza, os perigos e a magia que se escondem na natureza. Um turbilhão de informações que, de maneira magistral, simplesmente se encaixa conforme a leitura avança. Você pode demorar para entender o que significam termos como vagalumes do Jacamim, mas, quando entende, é como se todo o livro se abrisse mais uma vez. É possível não lembrar o nome de um personagem específico, mas isso não é importante, pois você sabe quem ele é logo nas primeiras frases dos capítulos em que o narrador onisciente seletivo os coloca em foco. Com a leitura, todos aqueles termos vão sendo absorvidos e fazendo sentido, mesmo que você não os entenda de cara.

Provavelmente há quem tenha resenhado sobre a poesia do livro: “Monâ criou o tempo em uma direção só. Por isso, ela nos deu os sonhos, só assim o tempo volta”. Um livro recheado de frases belíssimas e, mesmo o narrador onisciente — ainda que seletivo —, respeita a forma de expressão que o mundo de Araruama representa e a mentalidade dos seus povos, usando figuras de linguagem sempre relacionadas a coisas comuns ao mundo: “As gotas do orvalho se prendem ao verde das folhas com toda a força que possuem, mas quando o peso do seu ser suplanta seu ímpeto, elas são lançadas ao desconhecido”.  Muito já foi dito também sobre a coragem no uso dos recursos gráficos, como as delicadas ilustrações internas, feitas por Paulo Torinno, e as cores especiais nas falas amarelas das misteriosas criaturas chamadas Anhangueras.

Também já disseram que a continuação está aí, Araruama, o Livro das Raízes, pronta para ser lida e devorada. Então, tendo em vista todas essas resenhas já feitas, nós, da equipe Literomancia, nos reservamos o direito de não falar nada.

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